Economia da partilha significa o fim dos empregos tradicionais?

A evolução humana é sem duvida um dos maiores cases de sucesso da natureza, estamos sempre em movimentação para moldar o mundo de acordo com nossos interesses na geração de recursos de consumo, como alimentos e água.

Nesse frenesi de consumo, adquirimos bens e serviços mais que suficientes para nossa existência, o exemplo claro desse consumo desnecessário é aquisição de um carro, que será utilizado apenas por breves instantes durante o dia.

Olhando para visão de economia da partilha e como a tecnologia proporcionou novas interações entre os indivíduos, percebemos que hoje é comum partilhar bens e serviços, que outrora seria impossível pela decadência tecnológica da sociedade.

Se observamos como o paradigma de pegar um táxi foi totalmente modificada pela novas tecnologias, vemos a aplicação clara de economia da partilha, nesse caso direcionamos o olhar para o UBER. Que ao contrario do serviço de táxi oferece um plataforma de passageiros com motoristas interdependentes, pagamentos diferenciados e partilha da corrida com outros usuários, como uma forma de diminuir os custos para todos.

Tudo isso é muito bom e todos adoram economizar, mas será que alguém fica sem emprego por partilhar bens e serviços?

Em um artigo publicado pela Oxford Martin School, Carl Frey, Thor Berger e Chinchih Chen, realizaram uma analise do impacto do Uber entre 2009 a 2015 nas cidades americanas, fornecendo dados importantes da economia de partilha nos empregos e salários nos serviços de táxi.

 

 

Segundo a pesquisa nas cidades onde o Uber foi implantado houve uma maior oferta de trabalho dos taxistas tradicionais se comparado a cidades que não tinha esse tipo de serviço. Olhando no ponto salarial foi identificado que motoristas não-táxi migraram fortemente para o Uber, tornando-se independentes. Que a oferta de taxistas independentes cresceu 50%  depois da introdução do Uber.

No quesito salarial depois da implantação do Uber os taxistas tiveram um perda de até 10% das receitas, diminuindo o valor por hora dos profissionais, consequentemente aumentando a jornada de trabalho. Que os motoristas independentes Uber exibem maiores ganhos que os motoristas tradicionais.

De modo geral há uma grande preocupação que a economia da partilha impulsione o desemprego em segmentos específicos da sociedade, que os motoristas Uber dominem esse tipo de serviço, que os taxistas tradicionais migrem para novas formas de trabalho.

No Brasil a sensação é mesma entre os taxistas tradicionais, mas as coisas já estão mudando aos poucos, devido a alta popularidade de serviços semelhantes ao Uber que estão disponíveis também para os taxistas. No nosso país ainda não temos uma pesquisa com uma avaliação parecida com apresentada pelos autores.

O questionamento sobre a economia da partilha diminuir a quantidade de empregos é valida, mas não se sustenta sozinha, pois ela mesma cria novos canais de empregos na sociedade moderna. A evolução tecnológica não só abre novas fronteiras do trabalho mas aprimora as existentes, só é preciso está aberto para entender e participar desse novo mundo.

 

Você pode ler o artigo completo no site da Oxford Martin School: www.oxfordmartin.ox.ac.uk/publications/view/2387
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Conheça o Autor

Werique Franca
Werique Franca
Pós-Graduado em Engenharia de Software pela Universidade Nove de Julho, superior em Analise e Desenvolvimento de Sistemas pelo Centro Universitário Ítalo Brasileiro. Experiência como analista de sistema, desenvolvimento em VB.NET, modelagem de negócios, banco de dados MySQL e SQL Server, apaixonado por tecnologia, novas soluções de negócios e fundador do Portal TI Livre.

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